Eu não entendo a morte. Eu não aceito a morte.
Eu não aceito perder quem a gente ama, seja lá o que ou quem você se dispõem a amar.
Sentimento causa dor física. Ela é física sim. Não adianta quantas terapias você faça. A morte será sempre morte e nunca estaremos preparados para o dia; mesmo sabendo que ao nascer a única certeza que você carrega consigo e que um dia, sem hora marcada, tudo isso acaba (e talvez para que outras "vidas" surjam).
Essa semana eu estou arrasada. Tô para baixo. Meus olhinhos estão inchados e o coração apertado.
Eu perdi meu gatinho. Para muitas pessoas pode ser bobagem, besteira, mas para mim está sendo muito difícil adaptar a minha rotina sem o Jolinha.
Ele é especial. Ele foi o melhor gato do mundo.
Aquela carinha de anjo conquistou todos aqui em casa. Até a minha mãe que tinha pânico de gato, aprendeu a amar meu bichano. Muitas vezes peguei ela indo para o quarto com ele debaixo do braço e lá ela ficava horas brincando com ele. Era o Jolinha da Vovó.
"Eu não gosto de gato. Eu só gosto do Frajola" - ela dizia sempre para o meu pedacinho de algodão.
Ele tinha umas manias fofas e ao mesmo tempo esquisitas. Todas as vezes que íamos ao banheiro, lá estava o Frajola para fiscalizar a "caquinha". Ele adorava ver a descarga, a água indo pelo esgoto, adorava pular no box só para pegar as gotículas que se formavam na parede. Subia na pia e derrubava tudo o que tinha nela até encontrar seu potinho de ração. Esperava os cachorros passar pelo corredor para dá susto, aliás ele dava susto em todo mundo, inclusive os botes nos pés desavisados.
Adorava pão, não era muito fã de comida mas era muito comilão, adorava ração. Era muito mal-educado, se tinha alguém comendo, ele sentava na cadeira da mesa da cozinha e fazia uma carinha de pidão, até descolar um pedacinho de carne, frango. Quando ficava sem paciência de esperar pulava na mesa e começava a confusão.
Temperamental não gostava de levar bronca. Dava gelo na gente, ignorando nossa presença até o momento que ele achava que te fez sofrer demais. Aí pedia seu colo para fazer um carinho no seu rosto.
Meu gato era único. Fez amizade com o gato da vizinha e fugia para brincar com ele por poucas horas, pq como ele era um comilão sem jeito, quando a barriga roncava, lá estava ele entrando pela varanda atrás de qualquer um que estivesse por perto, fazendo aquele somzinho único "Ru Ru", pois ele não miava, resmugava. Parecia mais um pombo do que um gato propriamente dito.
Aparecia do nada na escada e chamava a gente para correr atrás dele para brincar. Se escondia para nós achá-lo.
(...) Pausa para o choro
Affff....enfim...ele era o meu frajolinha. Meu primeiro gato e talvez o último, pois não consigo abrir meu coração, eu quero só ele e a saudade ainda doí um bocado.
Os últimos dias tem sido cinza. O muro parece silencioso, a casa assustadora, cada lugar que olhamos vem na memória uma cena em que o ator principal era justamente ele.
A TV perdeu a graça, pois não há mais um curioso que olhava para a gigante tela e depois olhava atrás do aparelho, como se fosse descobrir o portal mágico para entrar.
O Bar da sala falta seu bibelô, pois não vejo mais um pedacinho branco dormindo um sono profundo, nenhum barulho era capaz de incomodar tamanho sono.
Tudo está no seu lugar. Está faltando aquelas botinhas brancas sempre derrubando tudo. Descobrindo e quebrado cada trequinho quieto. Era extremamente curioso e tudo era motivo de ser descoberto.
Agora...só restaram as poucos fotos e videos.
Não há mais graça deixar a porta aberta, esperando aquela coisinha felpuda pular em cima de mim, enconstando a cabecinha dele na minha testa, só para demonstrar o quanto ele me amava.
Valeu a pena meu gatinho, te trazer no colo quando bem miudo e machucado; ter cuidado de você, passar as noites em claro velando seu sono, te alimentando no pinga gotas a cada duas horas e orando a Deus para não levar você.
Você teve a sua missão meu querido amigo, agora você está em paz e está na "gatolândia" lugar para gatos bonzinho como disse a Dani.
Eu fico aqui morrendo de saudade de você, mas fico com a certeza de que da mesma forma que você foi muito amado por todos nós, inclusive pelos cachorros; você está fazendo a alegria das crianças no céu na companhia dos meus outros bichinhos que passaram por aqui.
Jolinha...eu te amo meu eterno pequenininho!!! Obrigada por você fazer parte da minha história


1 infectado(s):
Fada,
o que me assusta na morte é a dor, e só.
Não a dor pros que ficam, mas a dor que sente quem está morrendo...
(isso é papo longo)
O que me consolou foram as respostas da Bíblia.
Leio e estudo o Livro Sagrado ele tem me ajudado bastante.
Isso não é uma tentativa de doltrinação, apenas tive vontade de te contar "minhas saídas"
inté
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